Barack Obama chega à Arábia Saudita

Presidente americano inicia giro pelo Oriente Médio para tentar aproximação com o mundo islâmico.

Barack Obama chega à Arábia Saudita

O presidente dos EUA, Barack Obama, chegou nesta quarta-feira, 3, à Arábia Saudita para conversas com o rei Abdullah, na véspera de um aguardado discurso que fará no Cairo na esperança de melhorar a imagem do seu país no mundo islâmico.  Obama e o rei devem conversar a respeito do conflito árabe-israelense, das aberturas diplomáticas dos EUA para o Irã e do preço do petróleo.

Obama, que é filho de um muçulmano e passou parte da infância em um país islâmico, a Indonésia, tenta reparar os danos à imagem dos EUA provocados pelas políticas de seu antecessor, George W. Bush, especialmente devido às guerras no Iraque e Afeganistão e aos abusos contra presos na chamada “guerra ao terrorismo”. Bush, teve uma relação difícil com essa parcela de 1,5 bilhão de pessoas pelo mundo.

Os EUA esperam que os sauditas se envolvam nas negociações de paz entre Israel e os palestinos. Os sauditas, por sua vez, mostram-se temerosos com a atitude de Washington frente a Teerã e temem que os iranianos desenvolvam armas nucleares. Washington e Riad também possuem temas bilaterais a serem negociados. Com a crise americana, os sauditas, principais exportadores de petróleo do mundo, viram a renda da monarquia cair. O comércio entre os dois países é de US$ 67,3 bilhões. Não se sabe se Obama tocará na questão dos direitos humanos.

No Egito, Obama, além de fazer o esperado discurso, também pode pressionar Mubarak a abrir mais o regime. O líder egípcio reprime opositores laicos e religiosos e tenta emplacar seu filho Gamal como sucessor. O Egito, apenas atrás de Israel, é o país que recebe maior ajuda militar dos EUA. Depois da passagem pelo Oriente Médio, Obama segue viagem para a Europa.

Logo após o desembarque de Obama, a TV Al Jazira divulgou uma gravação do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, em que ele diz que Obama havia plantado as sementes “da vingança e do ódio” contra os EUA no mundo islâmico. Bin Laden disse que o novo presidente segue os passos do seu antecessor George W. Bush, e alertou os norte-americanos a se prepararem para as consequências das políticas da Casa Branca.

O governo saudita reagiu à mensagem, qualificando-a como “um ato de desespero”, nas palavras do funcionário do Ministério do Interior Nial al-Jubeir. “Eles continuam fazendo seus comunicados, enquanto se escondem em uma caverna.”

Na véspera, o número dois da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, atacou Obama antes da visita. Para ele, as “mensagens sangrentas” do norte-americano continuam a chegar aos muçulmanos. O líder extremista disse que os muçulmanos não serão enganados pelas “campanhas de relações públicas” ou por visitas que são uma “farsa”, nem por “palavras elegantes”.

Estadão
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Publicado Quarta-feira, 3 Junho 2009. Acompanhe os comentários através do RSS 2.0 feed.

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