“PIB não muda o pessimismo”, afirma Itaú
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Apesar do bom resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, o cenário atual no País é de desaceleração, segundo o economista do banco Itaú Aurélio Bicalho. Ele prevê que a economia brasileira já deve registrar variação negativa no quarto trimestre deste ano, atingida pelas conseqüências da crise financeira mundial.
“A gente pode ter uma [...]
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Apesar do bom resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, o cenário atual no País é de desaceleração, segundo o economista do banco Itaú Aurélio Bicalho. Ele prevê que a economia brasileira já deve registrar variação negativa no quarto trimestre deste ano, atingida pelas conseqüências da crise financeira mundial.
“A gente pode ter uma variação até um pouquinho negativa, pelo que vinham indicando os dados já divulgados no 4º trimestre”, afirmou Bicalho, que prevê que a variação nos últimos três meses do ano pode ficar negativa em 0,2%.
O resultado, segundo ele, será afetado por fatores como a desaceleração do setor automobilístico, a deterioração da confiança do consumidor e de empresários - o que afeta diretamente o consumo e os investimentos no País - e a queda nas exportações, em decorrência da desaceleração da economia mundial.
“Esses canais de menor crescimento das exportações, queda nas commodities e piora na confiança, devem continuar atuando de maneira negativa no crescimento, tanto no 4º trimestre quanto nos primeiros trimestres de 2009″, disse o economista. Por causa disso, a perspectiva para o PIB do próximo ano é de uma expansão perto de 2%, muito menor do que a que deve ser registrada neste ano, entre 5,6% e 6%.
Dentro desse cenário, os investimentos - que bateram novo recorde no terceiro trimestre - devem desacelerar. Isso deve aparecer, de acordo com Bicalho, nos dados da produção industrial, com a redução do crescimento da produção de bens de capital. “A piora substancial nas expectativas dos empresários está bastante correlacionada às decisões de investimentos”, disse.
Outro agravante para reduzir o ritmo de crescimento do investimento é a desvalorização da taxa de câmbio, que encarece as máquinas e equipamentos importados. Esses fatores devem levar a uma redução no crescimento das importações, junto com a redução na liquidez internacional e principalmente a incerteza em relação ao futuro da economia.
Desemprego
A desaceleração na economia neste período também vai afetar o emprego no País. Segundo Bicalho, a tendência é que o desemprego comece a registrar alta no início de 2009. “Esse aumento no desemprego deve começar principalmente nos setores ligados a investimentos e bens de consumo duráveis, e depois pegar outros setores da economia, como comércio e serviços. Mas deve principalmente começar pela indústria”, disse.
O quadro econômico do País deve melhorar a partir do segundo semestre do ano que vem, com o terceiro e quarto trimestres de 2009 registrando taxas de crescimento um pouco mais elevadas. “Mas isso depende bastante da evolução do quadro lá fora. Se a economia mundial começar a se recuperar a partir de meados do ano que vem, a economia brasileira deve seguir essa mesma onda de recuperação.”