Dólar e ouro foram as aplicações mais rentáveis do mês; Bovespa ainda foi a pior em Novembro

Em novembro, a cotação do ouro, tendo por referência o contrato da BM&F, subiu 13,33%

Folha Online
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O dólar e o ouro foram as aplicações que proporcionaram os maiores ganhos para os investidores em novembro, num contraponto com a Bolsa de Valores, que acumulou seu sexto mês consecutivo de perdas. E para os mais conservadores, a boa notícia foi que as aplicações de renda fixa conseguiram ficar acima da inflação do período.

Em novembro, a cotação do ouro, tendo por referência o contrato da BM&F, subiu 13,33%, num cenário de grande aversão ao risco no mercado financeiro, após dois meses bastante turbulentos (setembro e outubro).

No mesmo período, o preço da moeda americana ficou 7,17% mais alto, num mês em que os investidores optaram por sair da Bolsa e ir para aplicações mais seguras, como os títulos do Tesouro norte-americano.

Os fundos de investimento do tipo DI deram um retorno, em média, de 0,83% neste mês, segundo cálculo da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), com dados atualizados até o dia 25. Já os fundos do tipo Renda Fixa tiveram ganhos de 0,97% na média.

A caderneta de poupança, aplicação mais popular do país, registra rentabilidade de 0,66% no mês.

Já o retorno da Bolsa de Valores, se calculado pelo seu índice Ibovespa, foi negativo em 1,77%. O Ibovespa serve de referência para boa parte dos fundos de renda variável disponíveis no varejo bancário.

A inflação do período foi de 0,38%, se medida pelo IGP-M, ou de 0,49%, pelo IPCA-15. O primeiro índice embute preços do varejo, do atacado e da construção civil, enquanto o segundo índice reflete o custo de vida para famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos.

Rentabilidade Anual
Em 11 meses, o ranking das aplicações mais rentáveis pouco se modifica. O ouro teve variação de 19,42%, perdendo para investimentos atrelados ao dólar, que disparou 30,27% entre janeiro e novembro.

Os fundos DI tiveram rentabilidade média de 10,75% até novembro, enquanto os fundos Renda Fixa registraram um retorno, na média, de 11,23%. Já a poupança tem ganho acumulado de 7,13% no período.

E a Bolsa de Valores confirma sua posição como pior aplicação deste ano: o índice Ibovespa desabou 42,72% entre janeiro e novembro.

A inflação dos 11 meses foi 9,95%, medida pelo IGP-M, ou de 5,79%, pelo IPCA-15.

Expectativas
Analistas estimam que a Bolsa de Valores possa ter uma recuperação moderada em dezembro, historicamente um mês de ganhos. O índice Ibovespa, que encerrou o mês em quase 37 mil pontos, pode chegar a 40 mil no final deste ano. Já o dólar deve oscilar entre R$ 2,10 e R$ 2,50, podendo terminar o ano entre R$ 2,30 e R$ 2,40, conforme projeções divulgadas nesta semana.

O Copom (Comitê de Política Monetária do BC) faz sua última reunião de 2008 no próximo dia 10. Boa parte dos economistas do setor financeiro estimam que, desta vez, a taxa Selic será mantida em 13,75% ao ano. A Selic baliza as principais aplicações de renda fixa do país.

O mercado não está otimista. “A ‘poeira’ ainda não abaixou. Os investidores ainda estão bastante cautelosos”, afirma Mário Paiva, analista da corretora Liquidez. Acompanhar os desdobramentos da crise financeira sobre a economia real será a principal atividade de analistas e investidores em dezembro. E o pior medo é de uma combinação de deflação com uma recessão. “Uma deflação é o pior fantasma dos bancos centrais, porque é um dos problemas mais difíceis de combater”, acrescenta.

Publicado Sexta-feira, 28 Novembro 2008. Acompanhe os comentários através do RSS 2.0 feed.

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