Lula diz que economia pode sofrer retração

O presidente afirma que economia brasileira pode apresentar problemas nos meses de janeiro a março.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse pela primeira vez nesta terça-feira que a economia brasileira pode ter uma retração. Até então, o governo trabalhava apenas com a hipótese de desaceleração.

“Eu acho que a pesquisa industrial em dezembro, mais do que em outros meses, sempre cai mais. Eu trabalho com a hipótese de que nós poderemos ter uma retração na economia brasileira, mas não acredito que o Brasil sofra o mal que estão sofrendo os países desenvolvidos”, disse a jornalistas.

O presidente também previu dificuldades neste primeiro trimestre do ano. “Nos meses de janeiro, fevereiro e março, a gente pode ter alguns problemas, mas estou convencido de que, se tem algum país no mundo preparado para a economia se recuperar mais rapidamente, este país é o Brasil”, acrescentou em cerimônia de anúncio de recursos na favela Dona Marta, no Rio de Janeiro.

Também nesta terça-feira, o banco americano Goldman Sachs afirmou, em relatório sobre a América Latina, que o Brasil está preparado para enfrentar a crise internacional.

Desaceleração
Para o economista Alcides Leite, no entanto, é possível que o presidente tenha se expressado de forma imprecisa e que tenha falado em “retração” (queda da atividade) querendo dizer “desaceleração” (queda do ritmo de crescimento).

“O governo prevê um crescimento de 4% no ano. Não faria sentido de repente falar em retração, mesmo considerando o resultado da indústria (recuo de 12% em dezembro)”, disse o economista, professor da Trevisan Escola de Negócios.

Já o economista Frederico Turolla, sócio da Pezco Consultoria e professor da Fundação Getúlio Vargas, acredita que o governo já vinha sinalizando que o país poderia não crescer. “Quando a pessoa jura de pé junto que [a economia] vai crescer, é porque existe a possibilidade de não crescer.”

Segundo Turolla, a correlação entre crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e o mundial tem sido cada vez maior, levando à conclusão de que, se o Fundo Monetário Internacional projeta uma expansão de 0,5% para a economia do planeta neste ano, então é possível que o país passe por um momento, ainda que pontual, de retração.

Ele explica que, na década de 1980, essa correlação era de 20%, quando o Brasil tinha uma economia muito fechada. Desde os anos 1990, o índice veio subindo até atingir 80%.

“No ano passado, [a correlação] caiu um pouco, e alguns economistas começaram a falar em descolamento. Só que isso aconteceu por causa da China, que continuou crescendo bem, e agora a China também mostrou que está sendo afetada”, analisa Turolla.

Analistas de mercado projetam um crescimento em torno de 1,8% para a economia brasileira neste ano, segundo levantamento semanal feito pelo Banco Central com cerca de cem instituições financeiras.

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Publicado Terça-feira, 3 Fevereiro 2009. Acompanhe os comentários através do RSS 2.0 feed.

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