Polícia ocupa favela Paraisópolis após incidente
Segurança em Paraisópolis passou de 180 para 330 policiais nesta terça.
Na segunda (2), manifestantes entraram em confronto com a polícia.
Patrulhamento ostensivo. Homens a postos. A favela de Paraisópolis ainda está tomada pela polícia. Ao todo, 80 mil pessoas moram aqui. É a segunda maior favela de São Paulo e tem vários trabalhos comunitários.
No ano passado, recebeu investimentos públicos para a construção de praças e de uma escadaria. Confrontos com a polícia não são comuns nesta região. Nesta terça-feira (3), o trabalho foi de limpeza. Mas a preocupação continua.
“As pessoas estão com medo de sair de casa, não estão querendo sair muito, todo mundo se recolhendo cedo”, disse a dona de casa Rosilene de Andrade.
O Secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, confirmou que o tumulto de ontem foi uma reação à morte de um homem na Paraisópolis. Segundo a policia, seria um ladrão de carros que teria reagido à prisão no domingo (1º).
A ocupação da favela deve continuar por tempo indeterminado. “Nós ficaremos com essas unidades aqui no local até que o tempo necessário até que esclareçamos a autoria dos diversos crimes”, afirmou o secretário.
A segurança na favela foi reforçada: de 180 para 330 policiais treinados para confrontos urbanos. Nesta segunda-feira (2), foram mais de cinco horas de violência, que começaram no fim da tarde. Com pedaços de paus, vários grupos saíram da favela para destruir o que viam pela frente. Carros foram depredados, arrastados e incendiados.
Um restaurante teve os vidros quebrados, foi invadido e saqueado, em seguida. “Foi um corre-corre. Todo mundo tacando pedra, uns correndo para o fundo, uns vindo para a frente. Foi complicado”, contou Sidnei Araújo, gerente do estabelecimento.
A polícia foi recebida com pedras e rojões. Barricadas de pneus bloqueavam as ruas. Motoristas também viraram alvo dos bandidos.
“Veio uma avalanche de pessoas na nossa direção. Tudo o que eu tinha dentro do carro foi embora”, relatou uma vítima.
O capitão da Polícia Militar, Eliezer Klinger, afirmava: “A situação está sob controle, nunca saiu do controle”. Logo depois, ele foi baleado e socorrido pelos bombeiros.
Com a chegada da tropa de choque, os focos de vandalismo se multiplicaram. Quatro policiais e pelo menos dois moradores da favela ficaram feridos. Só um blindado conseguiu romper os bloqueios feitos com carcaças de carros incendiados.