Flamengo goleia e Bruno rouba a cena em cobrança de falta
O resultado manteve a invencibilidade do Flamengo, que chegou aos 12 pontos no Grupo B.
Seis minutos. Foi este o tempo necessário para que o meia Zé Roberto, estreante da noite pelo Flamengo, desse o seu cartão de visitas à torcida rubronegra. Além do gol, a primeira partida do novo camisa 10 da Gávea foi ainda melhor porque a equipe venceu o Mesquita por 4 a 1, nesta quarta-feira, no Maracanã, pela quarta rodada da Taça Guanabara, primeiro turno do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Até o goleiro Bruno deixou a sua marca em cobrança de falta, no segundo tempo, assim como Everton e Jônatas, que saíram do banco. Para os visitantes, Leandro Netto fez o gol de honra.
O resultado manteve a invencibilidade do Flamengo, que chegou aos 12 pontos no Grupo B. A liderança pode vir a ser isolada, caso o Botafogo, que pega o Volta Redonda nesta quinta-feira, no Engenhão, não vença. Na próxima rodada, o Flamengo enfrenta o Macaé, às 18h15 (Horário de Brasília), em Volta Redonda. Já o Mesquita, que chegou aos cinco pontos e está em quinto lugar, vai até Saquarema pegar o Boavista, às 17h.
“Deu para o gasto. Um gol logo na estreia é sempre muito bom para qualquer jogador”, disse Zé Roberto, que foi substituído antes do término da partida.
Pé-quente:
Zé Roberto foi o centro das atenções. Logo aos 54 segundos de jogo, o camisa 10 deu um belo toque de letra para a seqüência de uma jogada e levou os torcedores à loucura. Com muita movimentação inicial, o Flamengo ficou mais de um minuto com a posse de bola enquanto o Mesquita procurava o melhor posicionamento. Depois de alguns lances mornos, Willians fez jogada individual pela direita e cruzou na diagonal para Zé Roberto, que, aos seis minutos, mostrou que tem faro de gol. Festa na arquibancada para a mística camisa 10, que não fazia um gol desde abril de 2008.
O gol era a senha de uma goleada, certo? Errado. A equipe do Mesquita demonstrou ter a cabeça no lugar, arrumou a marcação e passou a envolver o Rubronegro com muito toque de bola. Aos nove, o goleiro Bruno espalmou para escanteio uma chute forte de Nill. Mas na cobrança pela esquerda, Leandro Netto subiu mais do que o camisa 1 e empatou a partida. Pronto, daí em diante o Flamengo se desestruturou por completo. O roer das unhas do técnico Cuca, que a todo instante pedia para a sua equipe apertar a saída de bola do Mesquita, demonstrou que alguma coisa não estava certa.
Sem o lateral-esquerdo Juan, lesionado, Egídio bem que tentou manter o nível da posição. Embora esforçado, a única coisa que o lateral conseguiu foi irritar a torcida, assim como o atacante Obina, que proporcionou lances dignos de uma comédia pastelão. Pelo lado direito, Leo Moura não encontrou espaços para se criar na noite em que completou 200 partidas pelo Flamengo, mas melhorou na etapa final.
Mais bem organizado em campo, o Mesquita desempenhou exatamente o papel que deveria ter sido o do Flamengo. Além de uma marcação forte, a equipe do técnico Rubens Filho soube gastar o tempo com toques de bola curtos e precisos. Aos 21 minutos, Marcelinho Paraíba cruzou na cabeça de Zé Roberto, mas ele foi mal na jogada e mandou por cima do travessão. Aos 33 e aos 39, o zagueiro Ronaldo Angelim e Paraíba, em cobrança de falta, quase ampliaram. O primeiro tempo terminou com o Flamengo com o torcedor vaiando timidamente.
Banco salvador:
Na volta para a etapa final, assim como na primeira, o Flamengo voltou com todo o gás. Uma arrancada de Ibson para recuperar uma bola refletiu que a conversa no vestiário mexeu com os jogadores. O técnico Cuca sacou o lateral-esquerdo Egídio e colocou Everton. Aos nove, Obina fez a sua primeira e única boa jogada na partida: ele ganhou de um marcador na dividida, girou e bateu de canhota. O goleiro Alonso salvou o Mesquita.
Supersticioso, Cuca voltou para o campo com uma camisa preta, diferente da cinza que usou no início da partida. A mudança tinha explicação, pois foi depois de realizar este mesmo ritual contra o Friburguense que o Flamengo venceu na estreia do Estadual por 1 a 0 com um gol no segundo tempo. E não é que deu certo a crença do comandante? Aos 13 minutos, Leo Moura desceu pela direita em alta velocidade e cruzou para o meio. Everton entrou pelo meio da área e encontrou a bola na sua frente: 2 a 1.
Pouco tempo depois Cuca resolveu colocar Jônatas em campo. Sem mais espaços para tentar uma reabilitação, o Mesquita foi encurralada na defesa e não resistiu. Aos 26 minutos, Obina ajeitou sem querer para Jônatas, que, de primeira, fuzilou o canto do goleiro Alonso. Desde o dia 7 de maio de 2006, em um clássico com o Botafogo pelo Brasileiro, o jogador não sabia o que era comemorar um gol.
No entanto, apenas um lance poderia ofuscar a estreia de Zé Roberto. E ele aconteceu aos 31 minutos quando o Flamengo teve uma falta a seu favor na entrada da área sofrida por Ibson. O goleiro Bruno saiu da sua meta e, no melhor estilo Rogério Ceni, colocou no ângulo do camisa 1 do Mesquita. Pronto, o terceiro gol de Bruno pelo Rubronegro deu início à festa completa dos torcedores no Maracanã.
FLAMENGO 4 x 1 MESQUITA
Flamengo
Bruno, Leo Moura, Fábio Luciano, Ronaldo Angelim e Egídio (Everton); Aírton, Willians, Ibson e Marcelinho Paraíba (Jônatas); Zé Roberto (Maxi) e Obina.
Técnico: Cuca
Mesquita
Alonso; Maricá, Wanderson (Argeu), Vinícius e Nill; Haroldo, Cleiton (Bruno Carvalho), Yves e Fabrício; Leandro Netto (Gleisson) e Bento
Técnico: Rubens Filho
Data: 04/02/2009 (quarta-feira)
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Antonio Frederico de Carvalho Schneider (RJ)
Auxiliares: Michael Correia e Marçal Rodrigues Mendes (RJ)
Cartões amarelos: Fábio Luciano, Aírton, Ibson e Zé Roberto
(FLA); Alemão, Cleiton, Yves, Haroldo, Nill e Leandro Netto (MES)
Renda: R$ 254.751,50
Público pagante: 18.494
Público presente: 20.177
Gols: Zé Roberto, aos seis minutos do primeiro tempo; Everton, aos 13, e Jônatas, aos 26, e Bruno, aos 31 da etapa final (FLA), e Leandro Netto, aos nove minutos do primeiro tempo.
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