Bovespa chega ao nível mínimo do dia

Bolsa cai mais de 3%. O índice Dow Jones continua abaixo dos 7 mil pontos, em queda de 2,36%.

As bolsas continuam em forte queda no mundo todo. O destaque negativo do dia é o prejuízo histórico da maior seguradora norte-americana, a AIG. No quarto trimestre, a perda da empresa foi de US$ 61,7 bilhões - o maior já apresentado por empresas norte-americanas. Muitos analistas diziam que, depois dos bancos, as seguradoras e empresas de cartões de crédito apresentariam problemas de liquidez (dinheiro em caixa).

Às 12h50, a Bolsa de Valores de São Paulo opera com queda de 3,13%, aos 36.987 pontos - patamar mais baixo do dia até este horário. Em Nova York, o índice Dow Jones continua abaixo dos 7 mil pontos, em queda de 2,36%. A Nasdaq recua 1,92%. Na Europa, as bolsas operam em baixa de mais de 3,5%.

Diante do risco sistêmico que a seguradora oferece, o Tesouro norte-americano anunciou um novo plano de ajuda à AIG no valor de até US$ 30 bilhões. Na Europa, o HSBC informou que pretende cortar 6.100 empregos e fechar as unidades de empréstimo ao consumidor nos EUA, após as perdas relacionadas a produtos subprime afetar seu lucro. No ano passado, o lucro do HSBC caiu para US$ 5,73 bilhões, de US$ 19,13 bilhões no ano anterior.

FMI apresenta propostas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentou nesta segunda-feira, 2, três propostas para sair da crise: limpar os ativos dos bancos, aplicar uma política monetária expansiva para aumentar a liquidez do mercado e promover uma política fiscal expansiva para ampliar a demanda. As propostas foram apresentadas pelo diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Nicolas Eyzaguirre. Ele falou na Reunião Extraordinária dos Ministros Ibero-Americanos das Finanças, que ocorre em Portugal e vai formular propostas a serem apresentadas na reunião do G-20, em abril.

A primeira medida, citou Eyzaguirre, é limpar os balanços dos bancos. “Esta é a raiz do problema nas economias avançadas e deve-se tomar medidas firmes nesse sentido para garantir o êxito das outras medidas políticas.”

Quanto à América Latina, para o diretor do FMI, os sistemas bancários não estão sujeitos a tensões tão fortes como em outras regiões e, apesar de variações entre os países, não se sente o problema de insuficiência do capital dos bancos como nos Estados Unidos.

No entanto, a situação não é tão positiva em relação às políticas anticíclicas. “Lamentavelmente nossos países estão em desvantagem em relação às economias avançadas na hora de aplicar as políticas anticíclicas. Nossos países não têm uma moeda de reserva, ainda devem alcançar uma maior credibilidade a longo prazo e, portanto, têm restrições mais severas para a aplicação dessas políticas. As economias mais sólidas e mais bem preparadas têm maior margem de manobra, mas mesmo essas têm limitações.”

Eyzaguirre afirmou que, nos países com câmbio flexível, a política monetária pode ser um caminho para combater a crise, mas com margem de utilização limitada. Em relação à expansão fiscal, o problema é que poderia ser vista pelos mercados como permanente e gerar dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida.

Estadão
www.estadao.com.br

Publicado Segunda-feira, 2 Março 2009. Acompanhe os comentários através do RSS 2.0 feed.

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