Modelo morre após cirurgia plástica em SP

Vítima morreu uma semana após cirurgia no Hospital das Clínicas. Laudo do IML deve sair em 40 dias.

Modelo morre após cirurgia plástica em SP

Instituto Médico-Legal (IML) só deverá divulgar dentro de 40 dias a causa da morte da ex-modelo Adriane Mabi Iafrate, de 35 anos, que morreu nesta segunda-feira (9) sete dias após passar por cirurgia plástica no Hospital das Clínicas.

A informação sobre o prazo é do marido dela, o comerciante Vagner Iafrate. De acordo com ele, o IML considera a causa da morte, por enquanto, indeterminada.

O comerciante estranhou as informações que ele diz ter ouvido no IML,  deando conta de que Adriane tinha problemas no fígado e respiratórios antes da cirurgia. “Disseram que minha esposa tinha problemas de saúde, que agravou o fígado e que ela tinha insuficiência respiratória antes da cirurgia. Minha esposa se cuidava todo o mês. Se ela tivesse gripe, ela ia ao médico. Estávamos preparadíssimos para fazer essa cirurgia. Os exames que o médico e o anestesista pediram, nós fizemos”, afirmou o marido.

Iafrate ainda não decidiu se vai tentar responsabilizar o hospital ou os médicos pela morte de Adriane. “Vou esfriar a cabeça e pensar direitinho, mas não quero deixar isso impune”, disse. O comerciante afirmou que a cirurgia foi paga, mas disse que não pode revelar o valor, de acordo com ele, próximo dos valores de mercado.

O comerciante também reclamou da falta de informações oficiais sobre o caso. “Esse país não oferece nada para nós. Não temos o direito de buscar informações”, disse.  De acordo com ele,Adriane sonhava há tempos com a cirurgia. “Ela era perfeita. O único problema dela era psicológico, de querer fazer a cirurgia”, afirmou o marido.

Iafrate disse que ouviu de um legista no IML a seguinte afirmação, que o deixou revoltado: “se a tua esposa estivesse lavando louça, ela não tinha sido internada para fazer lipoescultura e não tinha pego infecção e não teria chegado a óbito”. O IML informou que está apurando o ocorrido para verificar como vai se posicionar sobre a alegação do comerciante.

O marido e a sogra de Adriane também dizem que o médico responsável pela cirurgia em Adriane no Hospital das Clinicas examinou a paciente depois que ela foi internada no Hospital de São Mateus. Eles temem que a intervenção prejudique as informações sobre a causa da morte.

A sogra de Adriane, Sueli Iafrate, conta que ela foi modelo durante a juventude e continuava em forma, mas insistiu em se submeter à cirurgia para agradar o marido.

“Ela era linda. Foi modelo. Era como se a gente visse uma boneca”, disse emocionada. Sueli disse que o casal estava junto há três anos, tem um filho de dois anos e eram apaixonados. “Ele a chamava de ‘Vida’ e ela o chamava de ‘Amor’”, disse.

Segundo os familiares, na tarde de terça-feira (3), ela começou a sentir-se mal. Entretanto, apenas na madrugada de quinta-feira (4) ela foi a um hospital na Zona Leste.

A sogra afirma que ela recebeu todo o atendimento necessário no Hospital Geral de São Mateus.

O HC informou que, na quarta-feira (4) a paciente telefonou ao médico que fez a cirurgia reclamando de dores e foi orientada a tomar os analgésicos prescritos e a voltar para o hospital onde se operou, mas ela não compareceu ao local.

Três intervenções

O padrasto de Adriane, o mecânico de manutenção Antonio Cemenzin, de 66 anos, disse que ela fez lipoaspiração no abdômen e plástica nos seios e no bumbum. Cemenzin diz que Adriane, após passar mal e ser internada, começou a ficar com o corpo inchado e os órgãos foram parando de funcionar.

Desde que ela entrou no hospital, ficou sedada e os parentes não conseguiram mais falar com a dona-de-casa, segundo conta o padrasto. A família diz que os médicos afirmaram que a paciente teve infecção, mas a causa da morte ainda não está confirmada.

Os parentes eram contra a cirurgia, mas ela insistiu em fazer o procedimento. “Ela não precisava, era bonita, tinha um corpo legal. Todo mundo da família foi contra, mas era o que ela queria”, disse o padrasto. “Depois que ela ganhou bebê ficou dizendo que queria ter um corpo mais bonito”, acrescentou.

O filho de Adriane, que tem 2 anos, pergunta pela mãe, mas a família ainda não sabe como falará sobre a morte com ele. De acordo com Cemenzin, Adriane não sofria de problemas de saúde grave, mas tinha bronquite. Segundo familiares, o enterro será realizado às 10h de quarta-feira no Cemitério de Vila Alpina.

G1
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Publicado Wednesday, 11 March 2009. Acompanhe os comentários através do RSS 2.0 feed.

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