SP fecha vagas e chega ao comércio o desemprego
São Paulo fecha 38 mil vagas e desemprego já chega ao comércio, segundo dados da Sert
O Estado de São Paulo perdeu 38.676 empregos formais em janeiro de 2009, o equivalente a 38% dos postos de trabalho eliminados em todo o Brasil. Embora a indústria responda por 51,3% dos empregos perdidos - 19.859 vagas -, já começa a haver aumento do desemprego no comércio, que respondeu por 32,3% das vagas eliminadas em janeiro: menos 12.518. São Paulo concentra 29% dos empregos de todo o País.
Os dados são do Observatório do Emprego da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo (Sert), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Em janeiro, o desemprego foi menor, em relação a dezembro de 2008, quando foram eliminadas 101 mil vagas de trabalho em São Paulo. Mas ainda preocupa.
“Normalmente em janeiro se inicia a recuperação dos empregos perdidos em dezembro. Este ano não foi assim e a tendência é que o emprego em fevereiro também reflita a desaceleração da economia. A sangria vai continuar”, avalia o economista Eduardo Zylberstajn, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
A região metropolitana de São Paulo foi a mais afetada pelo desemprego. Foram perdidas 15.627 vagas. Em janeiro de 2008, a região foi responsável pela criação de 33.123 postos de trabalho. Em segundo lugar vem a região de Campinas, com a perda de 10.989 empregos.
Segundo Zylberstajn, o quadro se torna mais dramático quando comparado a janeiro de 2008, quando foram criados 65 mil postos de trabalho. Em todo o Brasil, a média de criação de empregos no mês de janeiro entre 2002 e 2008 foi de 78.850 empregos em todo o País. Em janeiro deste ano, foram eliminados 101 mil. “Não se pode falar em recuperação econômica, embora duas regiões do Estado tenham apresentado saldo de empregos positivo.”
Das 15 regiões administrativas do Estado, 13 perderam empregos formais em janeiro e somente duas tiveram saldo positivo: Ribeirão Preto (4.825 postos) e Franca (1.033 empregos gerados). O motivo da amena recuperação pode ser o câmbio favorável à indústria voltada à exportação, da qual faz parte o polo calçadista de Franca.
COMÉRCIO
De acordo com o secretário do Emprego Guilherme Afif Domingos, a perda de vagas no setor de comércio (que inclui empresas de revenda de autopeças e serviços automotivos) deve ser vista com atenção.
“A perda contínua de vagas na indústria é preocupante, mas o comércio desempregou quatro ?Embraers? sem fazer muito alarde”, diz Afif, em referência às 4.277 demissões anunciadas em fevereiro pela fabricante de aeronaves. Segundo ele, os dados do Observatório do Emprego servirão para que as prefeituras elaborem programas de requalificação para os trabalhadores.
Estadão
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