‘Pagando bem, que mal tem?’ faz piada sobre filmes pornôs

Longa-metragem do diretor Kevin Smith, com Seth Rogen e Elizabeth Banks, está em cartaz

Como todo diretor ligeiramente autoral, Kevin Smith (de “O balconista” 1 e 2, “Dogma” e “Procura-se Amy”) tem as suas manias. Gosta de filmes rodados em pequenos ambientes, com diálogos impregnados de referências à cultura pop, além de discussões pseudofilosóficas e piadas que beiram ou ultrapassam a escatologia. Ou seja, é basicamente um nerd. Isso, mais o fato de sempre trabalhar com o mesmo grupo de atores, dentro de uma cidade não exatamente pequena, mas longe de ser uma metrópole.

“Pagando bem, que mal tem?”, que estreou nesta sexta-feira (20), não foge à regra, mas tem mais pimenta que o cardápio típico dos filmes de Kevin Smith. “Zack and Miri make a porno” (título original) como já se pode imaginar, é sobre Zack (o sempre engraçado Seth Rogen, de “Ligeiramente grávidos”) e Miri (Elizabeth Banks, de “Homem-aranha 3”), um casal de amigos de infância que, sem grana para pagar nem mesmo a conta de luz, resolve apelar para a indústria pornográfica.

Eles arregimentam uma trupe de figuras exóticas para participar de uma pequena produção caseira de sexo explícito. “Pagando bem…” não mostra nada, ou quase nada, apenas a simulação dos atos sexuais, com caras e bocas exageradas. O que já vale metade do ingresso.

Assuntos tabus

Apesar da premissa simples, o longa-metragem consegue produzir momentos hilários, que há muito não frequentavam as histórias do diretor, que também é o roteirista. Smith, criado em Nova Jérsei, mas que dessa vez retrata uma gelada Pittsburgh, na vizinha Pensilvânia, mexe com um assunto tabu (como já tinha feito em outras oportunidades) para produzir humor ridicularizando os dogmas enraizados, principalmente, na cultura americana.

Por causa disso, ele até sofreu alguns tipos de censura. As autoridades da Filadélfia, no mesmo estado da Pensilvânia, proibiram  que as propagandas do filme saíssem com a palavra “pornô”, por exemplo.

O filme, inclusive, foi a princípio classificado como NC-17 (proibido para menores de 18 anos). Em seguida, para alegria dos produtores, ele caiu para R, em que menores de 18 anos podem assistir, se acompanhados de um adulto.

O próprio diretor, em outubro de 2008, chegou a reclamar da maneira como os norte-americanos encaram o sexo e a pornografia:

“Acho que, neste país, nunca chegaremos ao ponto em que as pessoas se sintam mais à vontade com o sexo, em falar sobre sexo, mostrar sexo abertamente.”

Participações especiais

As participações especiais, outra marca do diretor, são também impagáveis. Jason Mewes, presente em quase todas as produções de Smith como Jay, faz Lester, um ator que tem uma capacidade física impressionante. Traci Lords, uma atriz que já fez vários pornôs, faz o papel de… uma atriz pornô. Já Brandon Routh, que fez o “Superman” de Bryan Singer, é um sujeito que, bem, se importa mais com o próprio cabelo do que com outras coisas.

Dentro desse universo, em que as referências a “Star Wars”, histórias em quadrinhos, “Lost” e outros assuntos típicos acontecem a cada cinco minutos, “Pagando bem…” é uma espécie de conclusão, uma versão feliz do mais sério filme do diretor: “Procura-se Amy”. Se em “… Amy”, o protagonista não consegue aceitar uma antiga estripulia sexual da namorada, Zack e Miri descobrem no meio de uma cena bem, digamos, explícita que têm muito mais coisas em comum do que as recordações do passado.

Globo
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Publicado Domingo, 22 Março 2009. Acompanhe os comentários através do RSS 2.0 feed.

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