Lula diz que Brasil não terá apagão em ‘hipótese alguma’
Terminal de GNL da Petrobras dá sinal ao País de que não haverá problema de energia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 23, que o Brasil pode prometer a qualquer investidor, brasileiro ou estrangeiro, que não corre o risco de apagão, “em hipótese alguma”. Lula referia-se ao Terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) da Petrobras na Baía de Guanabara, inaugurado na semana passada.
No programa semanal de rádio Café com o Presidente, ele afirmou que o terminal “representa mais independência para o Brasil”. “O fato concreto é que, com este terminal de gás natural liquefeito na Baía da Guanabara, a gente dá sinal para o Brasil de que não haverá problema de energia no Brasil porque, quando nós tivermos com os lagos das nossas hidrelétricas vazios, que não tiverem produzindo energia, nós poderemos acionar a termelétrica a gás e ela vai produzir a energia que o Brasil necessita”, disse.
De acordo com Lula, com as energias hídrica e termelétrica a gás, o País tem uma oferta energética que permite a qualquer investidor, brasileiro ou estrangeiro, não ter preocupação ou medo de investir no Brasil.
“O que posso dizer ao povo brasileiro é que durma tranquilo, que os empresários invistam tranquilos porque nós vamos garantir energia para garantir mais emprego, mais salário e mais renda para o povo brasileiro”, disse.
O presidente lembrou a crise de energia de 2001. Segundo Lula, na época, o Brasil não tinha linhas de transmissão para transportar eletricidade de lugares que tinham excesso para os locais em que faltava, como São Paulo.
Ele declarou que, com a nova instalação de GNL na Baía de Guanabara, o País poderá importar gás de outras nações, e não só da Bolívia. Ao recordar a crise de gás com a Bolívia, em 2006, Lula julgou que a nacionalização da matéria-prima era um direito daquele país.
“Agora, ao mesmo tempo em que eu compreendi as necessidades da Bolívia, eu também, como brasileiro e como presidente do Brasil, sabia que o Brasil não podia ficar submetido a apenas à pressão de um fornecedor de gás”, acrescentou.
Sacrifício
Nesta manhã, o presidente falou, no Recife, em “sacrifício”, ao comentar os efeitos da crise econômica mundial no Brasil. A declaração foi feita ao desembarcar na capital de Pernambuco, em entrevista exclusiva para o programa Supermanhã, da Rádio Jornal, apresentado pelo radialista Geraldo Freire.
“Agora, temos problemas no setor de exportação. Principalmente no setor de máquinas e automóveis. Isso tem caído. Estou convencido que o sacrifício que o povo brasileiro vem fazendo será de curta duração”, afirmou. “Porque quem importa fruta, carne e soja do Brasil sabe que tem de continuar comprando, vai continuar importando”, afirmou, ao responder sobre a crise da fruticultura irrigada no Vale do São Francisco (PE).
De acordo com Lula, o setor de exportação é “vital” e é nessas horas que o governo tem de entrar para atuar, seja por meio de medidas da administração federal, do Banco do Brasil (BB) ou do Banco do Nordeste (BNB) para rolar “dívidas dos companheiros e não permitir que o sufoco venha matar afogados os que apostaram e trabalharam o tempo inteiro”.
Às 11h30, ele inaugura uma fábrica da Sadia, a primeira da empresa no Nordeste, em Vitória de Santo Antão, na região metropolitana do Recife. Para Lula, a inauguração é um ato simbólico porque, no momento em que só se fala de crise, uma companhia se instala e, com ela, “virá progresso para a região”. “Esse país não tem de ter medo de crise. É como uma gripe num cabra macho que ele vai trabalhar e não perde um dia de serviço por causa da gripe. Eu quero mostrar que existe uma crise, ela é grave, Obama e os alemães têm mais problemas que o Brasil e nós vamos enfrentar essa crise trabalhando”, disse.
“Quanto mais crise, mais trabalho. Quanto mais crise, mais investimento. É assim que vamos debelar esta crise causada pela irresponsabilidade do sistema financeiro internacional”, disse. Lula declarou ainda que é uma “asneira profunda” dizer que ele demorou para enfrentar os efeitos da crise no País, ao ser perguntado sobre se tomou as medidas em tempo.
Estadão
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