Diretor feito refém em fábrica na França é solto
Sindicato diz que fez acordo para reajustar indenizações de demitidos.
Terminou o drama de um diretor francês feito refém na quarta-feira (25), na fábrica da empresa farmacêutica e química 3M. Depois de mais de 24 horas, Luc Rousselet foi solto pelos trabalhadores da unidade de Pithiviers, centro do país, a 85 km de Paris.
O diretor industrial havia ido negociar o compromisso dos proprietários americanos da empresa de liberar um aumento das indenizações por demissões quando foi impedido de deixar o prédio.
“Pedimos para renegociar as indenizações da demissão, um bônus por transferência”, disse o líder do sindicato Força Operária, Jean-François Caparros. “Temos um acordo com a 3M”, afirmou.
A empresa ainda não confirmou se cedeu ou não às reivindicações dos trabalhadores.
Rosselet deixou a empresa na manhã desta quinta-feira (26, horário de Brasília), sob vaias de um grupo formado por cerca de 20 funcionários.
A fábrica da 3M de Pithviers emprega 235 pessoas. A direção anunciou a demissão de 110 funcionários e a transferência de 40 trabalhadores para outras fábricas por uma queda constante da demanda.
Foi o segundo incidente desse tipo, em março, na França.
Os gestos de revolta dos trabalhadores franceses ganharam força nas últimas semanas. Em meados de março, o presidente da Sony France foi retido durante 24 horas por funcionários de uma fábrica de Pontonx-sur-l’Adour, sudoeste, que também pediram revisão das condições de demissão.
A violência das reações dos trabalhadores também se manifestou no fabricante alemão de pneus Continental. Funcionários da unidade de Clairoix (norte), que emprega 1.120 pessoas e deve fechar daqui a um ano, jogaram ovos, duas vezes, em diretores da empresa. Nesta quarta, eles foram em massa a Paris, para protestar nas ruas, antes de serem recebidos por um assessor do presidente Nicolas Sarkozy.
Essas ações são alimentadas pela alta alarmante do desemprego, sobretudo, na indústria: 79.900 pedidos de seguro-desemprego foram registrados em fevereiro, de acordo com números oficiais. A previsão é que haja, em 2009, entre 375.000 e 454.000 novos pedidos.
Com informações da France Presse e da Reuters