Obama dá ultimato à GM e à Chrysler
O presidente dos EUA avisa para montadoras americanas que não dará mais dinheiro se elas não se recuperarem
Duas das maiores montadoras americanas receberam, nesta segunda-feira, um ultimato do presidente Barack Obama: para elas, não há mais dinheiro público por enquanto e, se não apresentarem planos convincentes de recuperação, vão para a concordata.
Os prazos do ultimato são curtos: dois meses para a GM e apenas um mês para a Chrysler. Obama perdeu a paciência com as direções das duas empresas. No fim de semana, exigiu o afastamento do presidente da General Motors. Nesta segunda-feira, deu mais esse pequeno prazo, mas tudo indica que a saída será a concordata, no caso da GM, e a fusão com a Fiat, no caso da Chrysler.
As grandes da Europa já dizem que a ajuda de Obama é prejudicial à concorrência internacional. As medidas anunciadas são mesmo protecionistas, entre elas uma que não tem precedentes: o consumidor poderá abater do imposto de renda a compra de veículos da GM e da Chrysler.
Obama deu à GM 60 dias para que a empresa comprove ser viável, ou a saída será a concordata. Até lá, o governo vai fornecer o capital necessário para que a montadora continue operando, mas nenhum valor foi especificado.
O caso da Chrysler é mais grave. Obama deu um mês para que a empresa faça uma aliança com a Fiat. Se isso acontecer, o governo emprestará mais US$ 6 bilhões à Chrysler. A direção da Fiat agradeceu ao presidente americano e disse que a aliança entre as duas montadoras pode salvar postos de trabalho nos Estados Unidos.
Para que os consumidores não deixem de comprar os veículos fabricados pela Chrysler e pela GM, o governo vai arcar com a garantia dos carros, mesmo que as montadoras quebrem. Mas Obama disse que o Estado não tem intenção de administrar a indústria automobilística.
Segundo o jornal Wall Street Journal, o governo prepara a concordata da GM, que seria divida em duas. Uma empresa ficaria com as marcas mais lucrativas e se recuperaria logo. A outra herdaria a maior parte das dívidas e dos compromissos trabalhistas e seria mantida em concordata, sob supervisão da Justiça.
A decisão de Obama seguiu a avaliação da força-tarefa criada há um mês, que concluiu: o plano apresentado pela direção da GM era inviável. O governo, então, exigiu a renúncia do presidente da empresa, Rick Wagoner, e a substituição da maioria dos diretores. A força-tarefa acredita que, com uma reestruturação radical, a GM se tornará viável.