Setor de cartões de crédito com problemas
Entre os problemas mais conhecidos estão concentração na prestação de serviços.
Entre os problemas mais conhecidos estão concentração na prestação de serviços (tecnicamente chamado de integração vertical), prazos longos entre o recebimento do cliente e o pagamento ao lojista e várias formas de obtenção de receita pelo setor tendo em vista o que ocorre nesse mercado no exterior.
De acordo com Marciano, não há no radar a possibilidade de se realizar uma regulação mais intensa do setor. “A ideia do estudo foi a de traçar um panorama completo da indústria. Se for tomada alguma medida regulatória, que ela tenha base técnica”, argumentou, durante entrevista coletiva à imprensa na tarde de hoje na sede do Banco Central. O estudo foi a primeira fase do projeto. A segunda etapa está relacionada ao recebimento de sugestões e críticas da sociedade nos próximos 90 dias e, em seguida, os órgãos reguladores decidirão sobre aperfeiçoamentos para aumentar a eficiência do setor.
A secretária de Direito Econômico, Ana Paula Martinez, comentou que, em primeiro lugar, são elevadas as barreiras de entrada no setor de cartões de crédito e débito. “Nos preocupa a possibilidade do abuso de poder”, comentou. Ela lembrou que das 826 mil denúncias de todos os Procons do País, com exceção do Estado de São Paulo, que se recusava a integrar os seus dados, 12% são relativas a esse segmento.
Apesar de ser um mercado extremamente concentrado (as duas maiores bandeiras, Visa e Mastercard, respondiam, em 2007, por mais de 90% das transações), este não chega a ser exatamente um obstáculo na visão dos órgãos reguladores. “No mundo todo há alta concentração, este não é o problema”, disse Marciano.
O grande ponto a ser questionado é a forma de organização dos credenciadores, como Redecard e Visanet, por exemplo, que concentra todas as atividades (credenciamento, fornecimento de terminais de pagamento, captura e processamento de transações, encaminhamento de pedido de autorização e compensação e liquidação). “Isso dificulta a entrada de novos concorrentes porque é difícil realizar as cinco atividades e elas não podem ser contratadas separadamente”, salientou Ana Paula. “Dentro da amostra internacional, o Brasil se destaca porque é o único que continua com a mesma estrutura (verticalizada). Este não é o melhor modelo para a indústria brasileira”, acrescentou Marciano.
Estadão
www.estadao.com.br