Míssil norte-coreano é provocação, diz Obama

Pyongyang envia caças para região de foguete e ameaça atacar o Japão se suposto satélite for interceptado

O líder americano, Barack Obama, disse nesta quinta-feira, 2, ao presidente da Coreia do Sul, Lee Myung Bak, que o lançamento de um míssil por parte da Coreia do Norte representaria uma “provocação”. A declaração foi confirmada por um alto funcionário americano, ao informar sobre os resultados da reunião bilateral entre os dois líderes, realizada à margem da Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes) realizada em Londres para combater a crise econômica mundial.

Pyongyang anunciou seus planos de lançar um satélite de comunicações entre 4 e 8 abril, em meio às suspeitas de que possa esconder o teste de um míssil de longo alcance. Segundo a televisão americana CNN, a Coreia do Norte já começou a colocar combustível nos depósitos para o lançamento do que poderia ser um míssil balístico Taepodong-2. A Coreia do Norte enviou ainda um esquadrão de caças para uma base aérea próxima à costa do país, onde está sendo preparado o lançamento de um foguete, segundo informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

Obama ressaltou que o lançamento do míssil, que o regime norte-coreano diz ser um satélite, viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. O presidente americano explicou a Lee que consultará Seul antes de tomar medidas, se o lançamento chegar a acontecer. A Coreia do Norte “não poderá distanciar a relação entre EUA e Coreia do Sul”, disse Obama, segundo o alto funcionário. O presidente americano reiterou “o objetivo imutável da eliminação verificada das armas e do programa nuclear norte-coreano”.

Em comunicado emitido após a reunião, a presidência sul-coreana indicou que os dois líderes tinham decidido colaborar para uma reação conjunta ao lançamento. “Mostraram-se de acordo na necessidade de uma resposta unida e firme por parte da comunidade internacional, se a Coreia do Norte lançar um míssil de longo alcance”, explica a nota. As ameaças da Coreia do Norte também fizeram parte das conversas que Obama tinha mantido na quarta-feira com o presidente da China, Hu Jintao, e com o chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev. Segundo altos funcionários americanos, Obama advertiu às autoridades chinesas que Washington convocará o Conselho de Segurança da ONU se o lançamento do míssil for adiante.

Caças norte-coreanos

Fontes do Governo sul-coreano não identificadas, citadas pela Yonhap, afirmam que o envio dos caças norte-coreanos para a região do lançamento parece estar destinado a responder aos movimentos do Japão para interceptar o foguete norte-coreano. O Exército também criticou o Japão por “se comportar da pior maneira” perante o lançamento e voltou a advertir que responderá com ações militares contra os sistemas de interceptação japoneses caso tentem derrubar o foguete.

Tóquio ordenou na semana passada a seu Exército que destrua o foguete norte-coreano caso o lançamento falhe e suas partes caiam em território japonês. Preocupado com o lançamento, o Japão posicionou navios militares e baterias de mísseis Patriot na sua costa norte, anunciando que suas Forças de Defesa estão preparadas para interceptar qualquer foguete norte-coreano que caia em seu território intencionalmente ou por acidente.

Nesta quinta, o Exército norte-coreano afirmou que responderá a qualquer tentativa de interceptação de seu foguete e assegurou estar pronto para o combate. “Nossa força revolucionária está ponta para um combate de alto nível e responderá sem titubear ao mínimo movimento para interceptar nosso satélite de fins pacíficos”, afirma o Exército através da agência de notícias oficial local KCNA.

A Coreia do Norte reiterou também que o desenvolvimento pacífico de uma corrida espacial é um direito legítimo de qualquer país soberano e que o lançamento tem como objetivo a prosperidade do regime. Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos acreditam que o lançamento, seja de um míssil ou de um satélite, violaria uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, pois a tecnologia necessária para ambos os casos é muito similar. As três nações acordaram uma “colaboração próxima” caso realmente ocorra o lançamento.

Na véspera, o governo da Coreia do Norte ameaçou derrubar aviões dos Estados Unidos que violem seu espaço aéreo e tentem espionar o lançamento. A rádio estatal de Pyongyang disse que aviões-espiões americanos RC-135 - capazes de voar a 15 quilômetros de altura - foram avistados enquanto sobrevoavam a plataforma de lançamento.

O risco de uma reação desproporcional ao programa norte-coreano poderia, segundo o International Crisis Group, provocar “uma guerra com efeitos potencialmente devastadores para a Coreia do Sul, o Japão e a economia mundial”.

Estadão
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Publicado Quinta-feira, 2 Abril 2009. Acompanhe os comentários através do RSS 2.0 feed.

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