Líderes consideram resultado uma vitória

Para Gordon Brown, reunião selou o fim do Consenso de Washington

O comunicado da reunião de ontem do G-20 se seguiu a tensas negociações e manifestações públicas de desacordo, principalmente do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que chegou a ameaçar abandonar a cúpula, se não fosse atendida sua exigência de regulação dos mercados financeiros e dos paraísos fiscais. Depois da reunião, os principais líderes do G-20 deram entrevistas, para se mostrar satisfeitos e atrair para si o êxito do encontro.

“Esta é uma reunião histórica”, celebrou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Apresentando-se como um campeão da regulação - depois de ter sido acusado de estar interessado apenas no estímulo da economia, e não no controle dos mercados -, Obama disse que as propostas apresentadas na semana passada pelo seu secretário do Tesouro, Timothy Geithner, ao Congresso americano, foram adotadas no comunicado final de ontem.

Obama foi cauteloso, no entanto, evitando apostar no sucesso das medidas: “Se não tivermos êxito, criamos um bom fundamento para essas lideranças se reunirem de novo e acertarem”.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que a cúpula lançou uma “nova ordem mundial”. Para o líder de centro-esquerda, a reunião selou o fim do Consenso de Washington, o receituário liberal que o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e o governo americano incentivavam os países em desenvolvimento a adotar, a partir dos anos 80. “Começou uma nova era de cooperação internacional”, anunciou Brown.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e Sarkozy, que antes do encontro advertiram que a adoção de medidas regulatórias era “inegociável”, também se mostraram contentes. Merkel disse que o comunicado de ontem era “uma solução de compromisso muito, muito boa, quase histórica”. Já Sarkozy considerou as medidas contra os paraísos fiscais uma vitória sua, e declarou que os resultados ficaram “além de suas expectativas”.

Na opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a reunião de ontem do G-20 foi a primeira na qual países emergentes foram tratados “de igual para igual” pelos chefes de Estado e de governo das nações mais ricas. Segundo Lula, o tratamento igualitário foi fruto da intensidade da crise, que teria levado os dirigentes a perder a noção de sua dimensão.

Estadão
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Publicado Sexta-feira, 3 Abril 2009. Acompanhe os comentários através do RSS 2.0 feed.

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