Mano pensa em táticas para o Timão
Técnico corintiano resgata estratégias dos tempos de Grêmio para enganar rivais na temporada 2009.
O Mano Menezes versão 2009 se parece muito mais com o técnico que levou o Grêmio de volta à Série A, em 2005, do que com aquele que retornou com o Corinthians à elite, na temporada passada. No melhor estilo “Felipão”, ele voltou a usar táticas para esconder escalações e confundir rivais sobre qual time colocará em campo, algo que fazia com frequência no Sul.
Talvez pela facilidade da Série B no ano passado, Mano havia deixado de lado treinos secretos e outras estratégias em São Paulo. Mas como voltaram os clássicos… “Os treinos secretos voltam também. Em certos momentos, qualquer detalhe é decisivo para vencer um jogo”, disse Mano.
Treinos secretos são fichinha perto das táticas que o treinador afiou no Sul e pretende usar no Corinthians. O esforço para evitar que Muricy Ramalho soubesse quem ele colocaria em campo no clássico foi além de fechar o CT do Parque Ecológico - o que por sinal é bem complicado, já que o local fica em terreno bem aberto ao lado de linha da CPTM.
Na véspera da partida, Mano pôs para participar do recreativo dois atletas que estavam machucados e nem sequer ficariam no banco: Chicão e Alessandro correram e comemoraram gols. O segundo até foi o escolhido pela assessoria para dar a entrevista coletiva e confirmou que estava 100% para jogar e só dependia do “professor Mano Menezes”.
Como duvidar de Alessandro, ou da boa-vontade da assessoria, se um dia antes, na sexta-feira, Mano havia confirmado com todas as letras as presenças de Alessandro e Souza, outro que ficou de fora do início do clássico - entrou no segundo tempo. Para ser ter ideia da condição de jogo do lateral-direito, nem contra o Guaratinguetá, no próximo sábado, ele deve atuar.
No Rio Grande do Sul, era praxe do treinador fechar treinamentos. Em 2008, no Corinthians, eram poucos os treinos sem presença de jornalistas. Na pré-temporada do ano passado, os trabalhos da tarde, sem entrevistas, podiam ser acompanhados. Este ano mudou: jornalista só de manhã, quando os jogadores ou o próprio técnico aparecem para conversar.
ESTRATÉGIA COM ANDERSON Se escalar atleta machucado para participar de rachão pode parecer estranho, em 2005 Mano usou estratégia inédita, não para enganar adversário, mas a própria torcida.
No quadrangular decisivo da Série B, contra o Santa Cruz, Mano sabia que se colocasse a revelação Anderson no banco teria pressão desde o início para lançá-lo em campo. O jogo era no Olímpico. A ideia: Anderson assinou a súmula, mas ficou no vestiário. Outro sentou no banco somente para fazer figuração. No segundo tempo, Anderson apareceu e surpreendeu a todos. É possível fazer algo parecido com Ronaldo?
Estadão
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