Mães denunciam suposta rede de pedofilia no interior de SP

Polícia investiga existência de uma suposta rede de pedofilia composta por moradores de classe média alta da cidade Jardim e Vila Alpino interior de SP.

A Justiça e a Polícia Civil de Catanduva, a 385 km de São Paulo, investigam, após denúncias das mães das vítimas, a existência de uma suposta rede de pedofilia composta por moradores de classe média alta da cidade, que teriam abusado de dezenas de crianças moradoras dos bairros Cidade Jardim e Vila Alpino. Entre as vítimas estariam as mesmas crianças que teriam sido abusadas por um borracheiro de 46 anos preso no dia 15 de janeiro.

José Barra Nova de Melo aliciaria as crianças na porta da escola, em troca de doces, dinheiro, pipas e “aluguel” de um videogame. Melo responde a acusações de atentado violento ao pudor e divulgação de imagens pornográficas de 11 crianças. Seu sobrinho William Melo de Souza, 19 anos, também foi preso, acusado de atentado violento ao pudor contra outra criança.

Contudo, o inquérito, que se transformou em processo na 1ª Vara Criminal, deve voltar nesta terça-feira para nova apuração da Polícia Civil. Até então, apenas os dois eram suspeitos pelos crimes, mas na semana passada mães de crianças supostamente abusadas disseram que os filhos também seriam alvo de outros pedófilos, possivelmente de classe média alta da cidade.

Piscina e hidromassagem
Os relatos das crianças indicariam que elas eram levadas da porta da escola em uma caminhonete de luxo preta e ficavam em casas com piscina e banheiras de hidromassagem para serem fotografadas, filmadas e molestadas.

“Até agora tínhamos apenas provas e relatos contra o borracheiro. Ouvimos muitas mães que não nos contaram nada, mas agora, vamos ouvir estas que acrescentaram estas novidades no caso”, afirmou a delegada interina da mulher, Rosana da Silva Vanni.

A juíza Sueli Juarez Alonso, da Vara da Infância e da Juventude de Catanduva (SP), não quis comentar o assunto, mas o diretor do cartório, Jorge Moraes, confirmou a abertura do procedimento para investigar as novas denúncias. Segundo ele, não está descartada que entre as vítimas da rede estejam crianças supostamente abusadas pelo borracheiro. A juíza é a mesma que apurou um caso de suspeita de pedofilia em Porto Ferreira, onde seis vereadores foram presos.

Recuperação e revolta
De acordo com a delegada, em dois casos de atentado violento ao pudor, supostamente cometidos pelo borracheiro, as crianças tiveram de passar por tratamento médico. “Um menino sofreu lesões e uma menina de 6 anos teve doença venérea, o que foi comprovado por exames de corpo de delito”, afirmou uma mãe que não quis ser identificada. Segundo ela, outras vítimas passam por tratamento psicológico para se recuperar dos traumas. Uma delas teria se escondido numa árvore com medo de ser assassinada por William Melo de Souza.

Apesar da atuação das autoridades, pais dos bairros Cidade Jardim e Vila Alpino afirmaram estar revoltados. Segundo eles, o número de vítimas é muito maior e as autoridades não estariam dispostas a incluir pessoas de posse e conhecidas da sociedade como réus no caso. Um ato de protesto contra a situação está marcado para as 18h desta terça-feira.

Terra
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Publicado Terça-feira, 17 Fevereiro 2009. Acompanhe os comentários através do RSS 2.0 feed.

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